Começou com dor ou rigidez no fundo das costas. Provavelmente esperou que passasse, porque quase sempre passa. Foi de uma posição a dormir, foi um jeito a fazer a cama, foi de estar muito tempo sentado.
Só que desta vez já passaram semanas, ou meses, e continua. É assim que a maior parte das pessoas nos chega. A dor lombar é a queixa mais frequente que vemos.
Uma coisa que muda a forma de olhar para isto
Lombalgia nem sempre é um diagnóstico. É o nome do sítio onde dói.
Entre 65 e 80 por cento das pessoas terá pelo menos um episódio ao longo da vida. E em menos de 10 por cento dos casos existe uma causa específica identificável.
Na grande maioria, não se consegue apontar uma estrutura responsável. Isso incomoda quem quer um nome, e é a parte que quase ninguém explica bem.
O que convém perceber é que não ter um nome não impede tratar bem. O que decide o tratamento é o que agrava, o que alivia, como reage ao movimento e o que quer voltar a fazer.
É esta a sua situação?
- Já fez exames e continua sem perceber o que se passa
- Já lhe deram nomes diferentes, com explicações diferentes
- A dor vai e volta, e volta cada vez mais vezes
- Evita esforços com receio de piorar
- Já fez tratamentos que aliviaram durante uns dias
O que fazemos na primeira consulta
Percebemos a história: O que aconteceu, o que agrava, o que alivia, o que já fez e o que resultou.
Excluímos primeiro: Há situações que precisam de avaliação médica antes de qualquer tratamento, e a primeira coisa que fazemos é verificar se é o seu caso.
Testamos: Movimento, força, sensibilidade, tolerância à carga
Usamos o ecógrafo quando acrescenta informação, para ver estruturas em movimento e comparar ao longo do tempo.
Explicamos o que encontrámos: Dizemos o que os seus sintomas permitem concluir e o que fica em aberto. Quando não é possível apontar uma estrutura, dizemos, e explicamos porque é que isso não impede um bom plano.
Definimos consigo o que quer voltar a fazer, uma medida concreta, e uma data para reavaliar.
O plano
Depende do que a avaliação mostrar. Pode incluir exercício terapêutico, terapia manual, educação sobre o problema, ajuste de cargas e rotinas, e técnicas percutâneas ecoguiadas quando há indicação.
Na maior parte dos casos, o que faz diferença não é a escolha de um exercício em vez de outro. É a quantidade e a progressão.
Quando deve procurar primeiro um médico
Preferimos dizer isto do que atrasar o que interessa.
- Perda de força na perna ou no pé que está a piorar
- Dormência na zona entre as pernas, ou alterações a urinar ou a evacuar
- Dor muito intensa que não cede de forma nenhuma e não o deixa dormir
- Dor noturna acompanhada de rigidez matinal prolongada
- Febre, perda de peso sem explicação, ou história de doença oncológica
- Traumatismo recente com suspeita de fratura
Se identificar algum destes pontos, procure avaliação médica. Se vier ter connosco e encontrarmos algum deles, encaminhamos.
Sobre a medicação: quem decide é o seu médico. Há fases em que é ela que lhe permite dormir e começar a mexer-se, e isso ajuda a recuperação.
O que pode fazer desde já
Continue a mexer-se dentro do que tolera: O repouso prolongado raramente ajuda e costuma aumentar a rigidez e o receio de mexer.
Evite ficar muito tempo na mesma posição: seja sentado, seja de pé.
Não fique à espera que passe sozinha se já dura há muito tempo: Não porque vá agravar de forma dramática, mas porque quanto mais cedo souber o que se passa, mais cedo começa a fazer as coisas certas.
Muitas destas situações resolvem-se sem cirurgia
E há casos em que é preciso outra intervenção. Se o seu for desses, dizemos e encaminhamos.
E se não melhorar
Na primeira consulta combinamos o que vamos medir e quando voltamos a essa medida.
Se nessa data não houver alteração, mudamos de abordagem em vez de repetir o mesmo. Às vezes a hipótese estava errada. Às vezes quer dizer que o problema não se resolve por aqui, e nesse caso dizemos.
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