Tipos de dor — O que o seu corpo lhe quer dizer (e como pode agir sobre isso)
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Tipos de dor — O que o seu corpo lhe quer dizer (e como pode agir sobre isso)

Nem toda a dor é igual. Descubra os tipos de dor, como o cérebro os interpreta e o que pode fazer para recuperar o controlo sobre o seu corpo.

Introdução sobre Tipos de Dor

Imagine que o seu corpo tem um sistema de alarme.
Quando há um incêndio, o alarme toca — é o normal. Mas e se o alarme continuasse a soar mesmo depois do fogo estar apagado?

É exatamente isto que acontece em muitos casos de dor persistente.
A dor é um mecanismo de defesa, não apenas um sinal de dano. E esse sistema é controlado por uma rede complexa — os mecanismos neurofisiológicos da dor.


O que é afinal a dor?

A dor é uma experiência sensorial e emocional gerada pelo sistema nervoso quando o cérebro interpreta que há (ou pode haver) perigo para os tecidos.
Em termos simples: a dor é produzida pelo cérebro, mas sentida no corpo.
Isto não significa que “é tudo psicológico” — significa que o cérebro decide quando e quanto dói, com base em informação sensorial, emoções, memória e contexto.


Os três principais tipos (ou mecanismos) de dor

Embora o termo “tipos de dor” seja muito usado, o mais correcto é falar em mecanismos neurofisiológicos da dor. Estes mecanismos ajudam-nos a perceber por que a dor aparece e como podemos tratá-la melhor.

1. Dor nociceptiva — o alarme em ação

É a dor associada a lesão ou inflamação real dos tecidos: músculos, articulações, ligamentos. 
Exemplo: uma entorse, uma contratura, uma tendinopatia.
É a forma mais “tradicional” de dor — um aviso biológico útil que normalmente melhora à medida que os tecidos recuperam. Exceto quando é crónica.

Na prática:

  • Movimento controlado e gradual acelera a recuperação.

  • Evitar repouso total.

  • Seguir princípios de carga progressiva (ex: protocolo PEACE & LOVE para a entorse do tornozelo).


2. Dor neuropática — quando há falha no sistema elétrico

Aqui, o problema está no próprio sistema nervoso — nos nervos periféricos ou nas vias centrais.
Exemplo: ciatalgia, síndrome do túnel cárpico, o típico “nervo preso”.
A dor pode surgir mesmo sem estímulo nocivo, como se os “fios elétricos” estivessem a transmitir sinais errados.

Na prática:

  • Estímulos graduais (movimento, dessensibilização).

  • Técnicas de neurodinâmica e mobilização nervosa (sob orientação de fisioterapeuta).

  • Enfoque em reeducar o sistema nervoso, não apenas tratar o local da dor.


3. Dor nociplástica — o alarme desregulado

É a dor mantida por uma sensibilização do sistema nervoso central, mesmo sem dano ativo nos tecidos.
Exemplo: fibromialgia ou Síndrome do Intestino Irritável.
O sistema torna-se hiperreativo — pequenos estímulos podem provocar dor intensa.

Na prática:

  • Educação sobre dor (entender reduz medo e hiperatividade cerebral).

  • Exercício aeróbico moderado e regular.

  • Sono de qualidade e estratégias de controlo de stress.

  • Intervenções graduais que ensinem o sistema nervoso a “baixar o volume”.


Factos científicos que mudam a forma de ver a dor

  • A intensidade da dor não é igual à gravidade da lesão.

  • O cérebro pode gerar dor sem haver dano real — e também o contrário.

  • Educar sobre dor muda a forma como o sistema nervoso interpreta os sinais e pode reduzir a dor.

  • O movimento é o melhor analgésico natural quando é feito com segurança e consistência.

(Fontes: IASP, Pain in Motion Group, Lorimer Moseley et al., Cochrane 2023)


O que pode começar a fazer hoje para gerir melhor a dor

  1. Mova-se, mesmo que pouco
    O corpo foi feito para se mexer. Pequenos movimentos mantêm as vias nervosas ativas e diminuem a sensibilização.

  2. Durma melhor
    O sono é um regulador poderoso da dor. Deitar-se à mesma hora, reduzir ecrãs e luz forte à noite ajuda o sistema nervoso a “acalmar”.

  3. Aprenda sobre dor
    Saber que a dor não é igual a dano reduz o medo — e o medo amplifica a dor.

  4. Respire e desacelere
    A respiração lenta e profunda ativa mecanismos inibitórios descendentes (as vias naturais do cérebro para controlar dor).

  5. Procure ajuda especializada
    Um fisioterapeuta com formação em dor crónica consegue identificar o tipo de dor e ajustar o plano de reabilitação com base no mecanismo predominante.


Quando deve procurar um profissional

  • Dor que dura há mais de 3 semanas

  • Dor que não melhora com repouso ou medicação ocasional

  • Formigueiros, dormências, perda de força ou dor que acorda à noite

  • Qualquer dor que esteja a limitar o seu dia-a-dia


Conclusão

A dor não é apenas um inimigo a eliminar — é uma mensagem do corpo a pedir atenção e movimento.
Perceber o tipo de dor (ou mecanismo envolvido) é o primeiro passo para tratá-la de forma eficaz e duradoura.
A boa notícia é que o sistema nervoso é treinável — e é isso que a fisioterapia moderna faz: ajuda o corpo e o cérebro a reaprender a estar sem dor.


Na FisioMoço, usamos a ciência da dor e as ferramentas mais modernas da fisioterapia para ajudar pessoas a recuperar o controlo sobre o corpo — e sobre a vida.
📅 Marque a sua consulta e comece a perceber (e tratar) a sua dor de forma diferente.

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